Campo da prova (programa oficial do Jockey):

Após a largada o chileno Poalco, que causou um enorme atraso na partida pois foi necessário retirar sua ferradura com agarradeiras, foi para a ponta, seguido de Carrara Marble, Beau Mirage, Giampietro, Quip Mask e os demais, até Bowling, Zorro Moro, Anseio e Hiper Gênio, que ocupavam os últimos postos. No meio do percurso o jóquei de Beau Mirage, L.Durte, abandonou a corrida, enquanto Poalco, Carrara Marble e Quip Mask ocupavam os primeiros postos. Quip Mask corria por fora, contida.
No início da reta decisiva, Carrara Marble tentou dominar Poalco, que resistia, ao mesmo tempo que Quip Mask procurava contato com os dois ponteiros. Começou, então, o desgarro do chileno Poalco, que prejudicou Carrara Marble, e beneficiou a atropelada de Grimaldi, que foi colocado juntinho a cerca interna pelo Juvenal. Bowling atropelou mais por fora, entre Quip Mask e Carrara Marble.
Mas no dorso de Grimaldi estava Juvenal Machado da Silva, que fazendo prodígios com o chicote na canhota e com muita energia, alcançou o tordilho com escassa diferença de cabeça. Quatro corpos atrás Quip Mask finalizava em terceiro, e com Carrara Marble em quarto. Poalco foi o quinto. O tempo foi de 148s2/5 na grama macia.


Após a corrida os jóqueis deram os seguintes depoimentos:
F. Pereira Fº (jóquei de Quip Mask): Se Carrara Marble tivesse dominado o chileno Poalco na entrada da reta, o placar seria Quip Mask em primeiro e Carrara Marble em segundo.
J. Ricardo: Senti que Bowling vinha melhor do que os que estavam à frente e coloquei o coração acima de tudo. Era a minha vez. Mas não houve jeito de conter a volta do Grimaldi, apesar de todos os esforços. Juvenal esteve perfeito e creio não ter decepcionado. Paciência, não se pode ganhar sempre. Fica para o próximo ano.
J.M.Silva: Quando entrei na reta, senti que Grimaldi vinha muito bem e, medindo a distância para os ponteiros, achei que ia dar e esperei a brecha. Mas, se não acontece a passagem por dentro, graças ao cansaço do cavalo chileno Poalco, não teria derrotado Bowling.
No encontro entre Ricardo e Juvenal após o páreo, os dois se abraçaram por longo tempo, sem trocar palavras. Uma espécie de admiração mútua tomou conta dos dois maiores ganhadores do Hipódromo da Gávea, em momento que emocionou a todos os que assistiram a cena.
Resultado oficial:
1ºGrimaldi, J.M.Silva
2ºBowling, J.Ricardo
3ºQuip Mask, F.Pereira Fº
4ºCarrara Marble, J.F.Reis
5ºPoalco, C.Leighten
6ºAnseio, J.Queiroz
7ºBreitner, A.Oliveira
8ºCaesar’s Palace, G.Menezes
9ºAdjutor, L.C.Silva
10ºHiper Gênio, M.Latorre
11ºGiampietro, J.Pessanha
12ºBelo Bernardo, J.Pinto
13ºQueribus, J.Valdviesco
14ºGrison, A.Barroso
15ºZorro Moro, E.Ferreira
16ºAshabit, C.Canuto
17ºGreat Winnhr, C.M.Costa
18ºOn Time, N.Tachera
N.C.P. Beau Mirage,L.Duarte
Não correram: Monroe (8), Festival (8'), Curriculun Vitae (11') e Carrara Marble (12).
Boa partida, dada com atraso de 32 minutos. Breitner, do segundo boxe, sai na frente. Junto à cerca interna, o ligeiro Tiago, montaria de Albênzio Barroso, é exigido para pouco depois tomar a ponta. Jive, que largara praticamente no meio da pista, avança e se aproxima do ponteiro. A égua Classista é a quarta, enquanto Bat Masterson, quase por fora de todos avança para correr entre os ponteiros. O tordilho Bowling, terceiro a partir da direita, fica logo no grupo dos últimos, juntamente com o argentino Larabee, com o Goncinha, que logo depois tratou de levar seu conduzido para as balizas de dentro.
Os competidores vistos de trás, ao passarem a primeira vez pelo disco. Bowling aparece por dentro entre os últimos. Na frente, encobertos, Tiago, já liderando, assediado por Jive, Breitner e Explorador. Brown Tiger, com Gabriel Menezes, também se junta na briga pela ponta. Bat Masterson, com Ricardinho "up", faz a curva um pouco aberto tentando se aproximar dos ponteiros.
Na entrada da reta oposta, Albênzio Barroso, por dentro, levanta Tiago e mas por fora, com a farda verde, Brown Tiger vai para a ponta. O train de carreira torna-se mais vivo. Jive aparece em terceiro com Bat Masterson já aparecendo em quarto. Em quinto, colado a cerca interna, vem Breitner com Reizinho. E logo atrás também junto a cerca interna nota-se o avanço de Corto Maltese. Nessa altura o tordilho Bowling já havia sobrado para a última posição, e o Juvenal mantinha-o sempre por dentro, o caminho mais curto.
No final da grande curva Brown Tiger por dentro briga com Jive. Em terceiro já aparece Bat Masterson superando Tiago, que já abandona a luta pelas principais posições. Larabee, blusa laranja e boné preto, começa a avançar. Bowling, de cara torta, havia superado apenas a tordilha peruana Cabinas, o nacional Anseio e o uruguaio Brullemail. E Juvenal procura uma brecha para a arrancada fulminante do tordilho. A sua frente, seis animais formavam uma barreira. Foi obrigado a trazer o cavalo ligeiramente para dentro. Só achou passagem nos 300 metros finais.
Na metade da reta o Grande Prêmio Brasil de 1987 começa a se definir. Brown Tiger começa a esmorecer. Breitner vai para a ponta, livrando vantagem sobre Jive, que começa a pular no mesmo lugar dando por encerrada sua missão na grande carreira. Mais por fora Classista progride. A outra égua, Radnage, tenta atropelar por dentro. E Bowling começa sua atropelada, passando por dentro de Grimaldi, que ia de Ivan Quintana, e que o havia derrotado no ano anterior, mas que já ía apanhando sem render muito e mostrando que não tinha fôlego para tentar o bicampeonato. Bat Masterson está logo atrás de Breitner, apresentando sinais de que não seria com ele a primeira vitória de Jorge Ricardo no Grande Prêmio Brasil.
Breitner livra 1 corpo de vantagem e dá ao Reizinho a sensação de que poderia vencer a prova mesmo sem contar com o craque Itajara. Bowling inicia a arrancada final, atropelando junto com o argentino Larabee, com Goncinha. Os dois dominam Breitner, mas no rigor do Juvenal, o tordilho traz mais ação e mostra que ninguém tiraria o tetra do alagoano.
Nos 50 metros finais, Goncinha sentiu que a resistência de seu Larabee tinha acabado. E o Juvenal, que havia mostrado uma energia incomum a partir dos últimos 300 metros, só parou de tocar Bowling nos últimos 20 metros. Aí foi a explosão de alegria: levantou o chicote com o braço direito, ficou de pé nos estribos e fez o sinal da cruz. Estava ali o primeiro tetracampeão do Grande Prêmio Brasil, que mais tarde com o "lourinho" Flying Finn seria penta. Breitner apanhou até o fim para resistir à Corto Maltese e à atropelada da égua Classista.




























